Tendência da mortalidade por câncer de colo do útero no Brasil, 2003-2022: estudo descritivo e análise de série temporal
DOI:
https://doi.org/10.36560/19320262217Palavras-chave:
Neoplasias do colo do útero, Epidemiologia, Mortalidade, Saúde da Mulher, Estudos de Séries TemporaisResumo
No Brasil, ao excluir os tumores de pele não melanoma, o câncer de colo do útero se destaca como o terceiro mais comum entre as mulheres. Este estudo teve como objetivo investigar as características sociodemográficas e a tendência temporal da mortalidade por câncer de colo do útero no Brasil entre 2003-2022. Trata-se de um estudo descritivo e análise de série temporal, com dados coletados do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Considerando a 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) foram incluídos no estudo os óbitos cuja causa básica de morte tenha sido atribuída ao código C53 e 50% dos óbitos atribuídos ao código C55. As variáveis coletadas foram: ano do óbito, faixa etária, escolaridade, estado civil, raça/cor da pele, local de ocorrência, UF e região. A variação da taxa de mortalidade ajustada por idade foi calculada pelo Joinpoint Trend Analysis 5.3.0 e as variáveis sociodemográficas analisadas pelo teste Qui-quadrado, através do GraphPad Prism 8.0. A taxa de mortalidade foi calculada para cada 100 mil mulheres. As estimativas anuais da população feminina foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Foram registrados 130.521 óbitos no período analisado. O maior número de óbitos ocorreu entre mulheres acima de 64 anos (34,58%), com 1-3 anos de estudo (21,85%), solteiras (32,90%) e brancas (44,59%), sendo a maioria desses óbitos em hospitais (78,96%). No Brasil, a tendência da mortalidade apresentou variação percentual anual e variação percentual anual média de -0,64 [Intervalo de Confiança de 95% (IC95%) -0,84; -0,44; p-valor < 0,001]. A Região Norte apresentou a maior média de mortalidade (8,81/100 mil), com destaque para o Amazonas (12,59/100 mil). Em contraste, a Região Sudeste registra a menor média (5,53/100 mil), sendo Minas Gerais a menor média geral (4,80/100 mil). Embora a mortalidade por câncer cervical esteja em declínio no Brasil, persistem desigualdades significativas que exigem estratégias específicas, ampliação do rastreamento molecular, fortalecimento da vacinação contra HPV e ações direcionadas para populações mais vulneráveis.
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Accepted 2026-04-25
Published 2026-05-08

